29/08/2007
Informação chega antes da cana na indústria
Gerenciamento de frota utiliza tecnologias de ponta como as da F-1 na transmissão de dados
RENATO ANSELMI, DE CAMPINAS
FREELANCEPARAO JORNALCANA
A largada já foi dada. A elevada competitividade na área de gestão de frota está disponibilizando novosrecursos e otimizando os já existentes para que as usinas e destilarias obtenham recordes em desempenho eredução de custos. Tudo acontece em alta velocidade.
Nem mesmo as “paradas no box” – ou seja, na oficina automotiva – ficam de fora do controle e monitoramento. Além de utilizar ferramentas afiadas, precisas e cada vez mais aprimoradas - conhecidas também como softwares de gestão - e equipamentos eficientes como coletores de dados, sensores, receptores GPS, os sistemas de gerenciamento possuem tecnologia de ponta para a transmissão de dados, como a Telemetria, usada na Fórmula 1, e o General Packet Radio Service (GPRS)que é aplicado na telefonia celular.
Nessa corrida, a informação chega, na maioria dos casos, antes do que a cana na unidade industrial. Turbinada com o opcional GPRS, a solução da Enalta, de São Carlos, corre atrás de uma posição de destaque no setor sucroalcooleiro. Antes de incorporar esse recurso a um projeto específico de um determinado cliente, a empresa faz uma varredura do local que será gerenciado pelo sistema. Em algumas áreas agrícolas do Centro-Sul, como na região de Ribeirão Preto, SP, a cobertura chega a praticamente 100%. Outros locais podem apresentam índices menores, como no Centro Oeste brasileiro. “É preciso ter uma cobertura mínima de 60% da área para que o uso do GPRS torne-se interessante”, explica Neriberto Simões, consultor da Enalta.
Para a transmissão de dados dos outros 40% - ou menos – de área sem o sinal, as máquinas fazem a transferência de informações para os caminhões/carretas rodoviárias que repassam os dados para o servidor “host” da usina quando entram em área de cobertura. Segundo Neriberto Simões, a antena do sistema GPRS, usada pela Enalta nos veículos e equipamentos, é sete vezes mais potente do que a utilizada pelo sistema para celular. “Mas, não fica próxima das pessoas”, esclarece. Caso todo o percurso esteja sem sinal GPRS, as informações armazenadas na frota de usinas serão transmitidas para a base de dados na entrada da balança via rádio freqüência. “Essa alternativa exigirá a instalação de antenas de rádio nas máquinas e caminhões”, observa.
Uso do GPRS desperta interesse de unidades produtoras
O uso do GPRS na transmissão de dados, em tempo real, está se tornando também um componente diferenciado da solução oferecida pela Próxima (Grupo Datasul) – com sede em Assis, SP. Este recurso começou a ser disponibilizado pela empresa, este ano, e tem despertado o interesse de usinas e destilarias. Segundo o diretor executivo da Próxima, Gilberto Giradi, o emprego dessa tecnologia na gestão de frota em usinas e destilarias deverá deslanchar em 2008 quando o GPRS estará mais difundido e a área de cobertura será ainda mais abrangente como conseqüência das ampliações que serão realizadas pelas operadoras de telefonia celular.
Apesar do crescimento do interessepelo GPRS, a Próxima apresenta outras soluções na área de transmissão de dados procurando atender as situações específicas de cada cliente. “É preciso levar em consideração a tecnologia disponível em cada unidade e avaliar qual é a melhor alternativa por questão de negócio”, observa. De acordo com ele, nem sempre o sistema mais avançado vai apresentar os melhores resultados. O GPRS tem se tornado atraente pela gestão em tempo real,mas há outras opções com a utilização de rádio freqüência e palmtop.
Na hora de decidir qual é a melhor relação custo/benefício de um determinado sistema de transmissão de informações,todos os fatores devem ser pesados. Aliás,se a opção for a comunicação de dados por radiofreqüência – conhecida também como Telemetria -, os números e resultados das operações agrícolas e de colheita estarão disponíveis para a usina quando os caminhões passarem pela balança. “O uso do rádio é gratuito. Pode haver um custo inicial, não tão elevado, devido à necessidade de implantação de antena ou a melhoria do sinal. As usinas, em sua grande maioria, já têm uma boa cobertura de rádio”, afirma Carlo Dodi Junior, vice-presidente da GAtec, de Piracicaba, SP.
Segundo ele, a Telemetria, para a transmissão de dados visando o controle e a gestão de caminhões e máquinas agrícolas, é o mesmo sistema empregado, com eficiência, na Fórmula 1. (RA)
Ferramenta de gestão pode gerar economia de até 8%
Online ou offline – pelo menos até a chegada dos caminhões na balança -, as ferramentas de gerenciamento de frotas e de manutenção buscam a elevação da eficiência e a redução de custos das operações vinculadas ao Corte, Carregamento e Transporte (CCT). “A economia pode ficar entre 5% a 8% com a otimização da frota por meio da utilização do Sistema de Logística de Transporte – GAtec”, diz Carlo Dodi Junior, vice-presidente da empresa piracicabana. Carlo Dodi esclarece que quanto mais complexo for o transporte da usina,com diversas frentes de colheita, por exemplo, maiores são as chances de redução de custo. Isto ocorre com o dimensionamento adequado dos equipamentos – caminhões, colhedoras, carregadoras e tratores – visando o abastecimento uniforme de matéria-prima na unidade industrial.
O planejamento da alocação da frota, com a otimização de todos os recursos disponíveis, pode proporcionar, entre outras vantagens, a expansão da produção de cana sem a necessidade da aquisição de novos veículos.
Em outros casos, vai disponibilizar um tempo maior para a manutenção preventiva. A diferença vai ser percebida mesmo nas operações diárias com a diminuição de despesas com pessoal, combustíveis, peças, entre outros itens, devido à redução do número de equipamentos. Outra grande vantagem do sistema é o dinamismo do gerenciamento que define automaticamente a melhor opção de frente de carregamento para o direcionamento dos caminhões no momento da saída da balança, para atender prioritariamente a demanda por cana pela usina, levando em consideração a cota de entrega das frentes de cortes manuais e mecanizadas, reduzindo a ociosidade dos equipamentos (carregadoras, colhedoras e tratores). “No caso de uma máquina interromper a colheita por causa de quebra ou qualquer motivo, há uma redistribuição de caminhões”, exemplifica.
O computador a bordo é um companheiro inseparável de máquinas e caminhões durante todo o processo de gerenciamento. Os softwares, que fazem parte dos sistemas nessa área, são configurados de acordo com os interesses do cliente. “O nosso sistema – hardware e software– tem a arquitetura aberta. Pode fornecer informações sobre a velocidade utilizada por um motorista de caminhão em uma estrada de terra e até emitir um alerta quando for ultrapassado determinado limite. Na opção online, com GPRS, essa e outras não conformidades poderão ser corrigidas, em tempo real, pelo gestor”, explica Neriberto Simões, consultor da Enalta que oferece o CDA Log e o CDA Agrícola, entre outros produtos. (RA)
Sistema reduz custos na manutenção automotiva
A maioria das ferramentas de gestão,tanto para frota como para manutenção automotiva, tem recursos para gerar os dados mais importantes e necessários para a otimização das operações e de custos, como informações relacionadas a uma frente de colheita, desempenho de caminhões e máquinas, necessidades de manutenções preventivas (trocas de óleo, filtros,etc). “Um dos nossos diferenciais é a experiência da equipe de consultores que conhece e entende a realidade de logística do setor sucroalcooleiro”, diz Gilberto Girardi, diretor executivo da Próxima, que disponibiliza o PIMS-SIG Logística. Segundo ele, a partir da aquisição da Próxima pela Datasul, a solução apresentada pela empresa para o setor de manutenção automotiva passou a ter uma expansão de funcionalidades dentro de um ambiente único, como a integração à área de suprimentos, o que possibilita uma melhor gestão na aquisição de materiais com a conseqüente redução de custos.
Os módulos referentes à gestão de manutenção, de uma maneira geral, fazem o controle de serviços, garantias, planos de revisões, materiais e peças aplicadas, produtividade de funcionários, histórico sobre utilização de pneus, entre outros itens. “Os relatórios, emitidos pelo sistema, sobre o consumo de combustíveis podem demonstrar a necessidade de intervenção em uma determinada máquina”, observa Carlo Dodi Júnior, da GAtec. Outro parâmetro é a profundidade do sulco do pneu – de acordo com ele – que informa por meio de um alerta do sistema a necessidade de uma reforma quando estiver abaixo de um limite mínimo. “Se o procedimento for realizado na hora certa, o custo da reforma torna-se uma economia significativa em relação ao valor de um pneu novo”, afirma. (RA)
Dados podem indicar necessidade de substituição de veículo
O coordenador de motomecanização da Usina Santa Cândida,de Bocaína, SP, Glauco Araújo, considera que a ferramenta de manutenção automotiva é uma aliada importante para o controle e gerenciamento dos 540 equipamentos da unidade, incluindo veículos leves, ônibus, caminhões, reboques, implementos,tratores e colhedoras. O volume de serviços só não é maior porque a usina tem quatro frentes de colheitas terceirizadas entre as cinco em operação, além de realizar algumas manutenções em oficinas externas. Para Glauco, a importância do sistema não se restringe à otimização das atividades e de custos. “Os dados gerados, como problemas e despesas apresenta dos por um determinado veículo, podem indicar que é mais compensador realizar um investimento para a sua substituição”, finaliza. (RA)
FONTE: JornalCana http://www.jornalcana.com.br